Dilma divulgou vídeos em rede social e defendeu limites à terceirização.
Cunha defendeu projeto sobre FGTS e Renan criticou ajuste do governo.
Eduardo
Cunha, Renan Calheiros, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Lula se
manifestaram para celebrar o Dia do Trabalho. (Foto: Paulo Lopes/Futura
Press/Estadão Conteúdo; Reprodução; Presidência da República; Mario
Ângelo/Sigmapress/Estadão Conteúdo; Carla Carniel/Frame/Estadão
Conteúdo)
Nas celebrações do Dia do Trabalho, a presidente Dilma Rousseff e os
presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), fizeram pronunciamentos nesta sexta-feira (1º) sobre
direitos dos trabalhadores. Dilma abriu mão de falar em cadeia nacional
de rádio e TV, mas divulgou três vídeos nas redes sociais.
Em uma das
mensagens em vídeo divulgadas
pelo Palácio do Planalto no Facebook, a petista voltou a falar sobre o
projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que regulamenta o
trabalho terceirizado. Na rede social, ela defendeu a
regulamentação das atividades terceirizadas
no Brasil, porém, ressalvou que, na opinião dela, as mudanças nas
regras de terceirização não podem ocorrer de forma irrestrita, como foi
aprovado pela Câmara dos Deputados (assista ao vídeo acima).
O projeto avalizado pelos deputados prevê a terceirização de todas as
atividades, inclusive as chamadas “atividades-fim” das empresas.
Atualmente, uma universidade particular, por exemplo, pode contratar
serviços terceirizados de limpeza e segurança, mas não professores
terceirizados.
Em
outro vídeo, a presidente defende a política do governo para a
valorização do salário
mínimo. Segundo ela, em seu primeiro mandato, o mínimo cresceu 14,8%
acima da inflação. Dilma afirmou que essa política beneficia 45 milhões
de trabalhadores da ativa e aposentados.
No
terceiro vídeo divulgado
na rede social, a presidente defendeu a legitimidade de manifestações
pelo país e afirmou que os protestos não podem ser enfrentados com
“violência”. Ela destacou que vivemos em uma democracia e, por isso,
temos de "nos acostumar" com as manifestações e as vozes das ruas.
Já Renan Calheiros, que criticou Dilma nesta quinta (30) por ela ter optado por se manifestar somente pelas redes sociais,
fez um pronunciamento nesta sexta na TV Senado para celebrar o Dia do Trabalho
(veja o vídeo ao lado).
No comunicado, ele afirmou que o Congresso Nacional não será um "mero
espectador" do ajuste fiscal proposto pelo governo federal.
Na fala, o presidente do Senado voltou a dizer que as medidas
provisórias encaminhadas pelo Executivo federal ao Legislativo para
tentar reequilibrar a economia são, na verdade, um "desajuste".
"O Congresso Nacional não será um mero espectador do ajuste fiscal. O
Congresso é o próprio fiscal do ajuste. Ajuste que penaliza o
trabalhador é desajuste. Proponho, em nome do Congresso
Nacional, o
pacto pela defesa do emprego", declarou.
Cunha participou das festa organizada pela Força
Sindical para comemorar o Dia do Trabalho.
(Foto: Paulo Lopes/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Em um evento promovido pela Força Sindical em São Paulo, o presidente da Câmara
anunciou nesta sexta
que apresentará, na próxima semana, um projeto de lei para reajustar o
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a partir do índice da
caderneta de poupança.
No ato que celebrou o Dia do Trabalho, Cunha destacou que sua proposta,
caso aprovada, valerá a partir de janeiro de 2016. Segundo ele, o texto
não prejudicará as operações atuais.
"Somente os novos depósitos sofrerão reajuste. É um projeto que vamos
tramitar e votar em regime de urgência. Será apresentado na semana que
vem, quando terá o trancamento da pauta devido à votação do ajuste
fiscal. Vamos ver ainda a data em que ele será votado", ressaltou o
peemedebista.
Lula discursou na festa de 1º de Maio organizada
pela CUT no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.
(Foto: Vanessa Carvalho/Estadão Conteúdo)
Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (1º),
durante ato da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em São Paulo pelo
Dia do Trabalho, que
não é candidato a nada, mas vai percorrer o país para garantir a manutenção do governo Dilma Rousseff
.
Lula reagiu ao que chamou de insinuações sobre o seu suposto
envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras investigado pela
Operação Lava Jato e disse que parte da elite tem medo de que ele volte a
ser candidato.
"Eu 'tô notando, todo santo dia, insinuações. Ah, lá na Operação Lava
Jato estão esperando que alguém cite o nome do Lula. Ah, estão tentando
fazer com que os empresários citem o nome de Lula. Eu estou quietinho no
meu lugar. Não me chame para a briga. Eu não tenho intenção de ser
candidato a nada. 'Tá aceita a convocação. Eu agora vou começar a andar o
país outra vez", afirmou o petista.
Lula deixou claro ainda que vai se mobilizar para defender o governo da presidente Dilma.
Aécio discursou no ato de 1º de Maio realizado na
Praça Campo de Bagatelle, em São Paulo.
(Foto: Mário Âneglo/Sigma Press/Estadão Conteúdo)
Aécio Neves
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse nesta sexta-feira, em ato do Dia do Trabalho em São Paulo,
que o Senado vai "aprimorar" o projeto da terceirização aprovado na Câmara. O tucano afirmou ainda que vai propor um limite para terceirização das atividades, proposta que
já foi defendida por Renan Calheiros.
"Nós vamos no Senado discutir a terceirização com enorme
responsabilidade. De um lado vamos garantir a regulamentação para
aqueles que são terceirizados. Nos vamos tb propor um limite para que as
empresas possam terceirize algumas de suas atividades. Portanto o
senado federal vai aprimorar o projeto votado na Câmara", disse o
senador no evento promovido pela Força Sindical.
Ao público presente, Aécio criticou o fato de a presidente Dilma
Rousseff não ter feito pronunciamento do Dia do Trabalho em cadeia
nacional de rádio e TV.
O tucano também
lamentou o confronto entre policiais militares e professores
ocorrido nesta semana no Paraná, estado governado por seu colega de
partido Beto Richa. Aécio, no entanto, disse que o tema não deve ser
alvo de "ironia" por parte de ninguém.
"Lamento profundamente pelo que aconteceu [...] Nada que ocorreu deve
ser objeto de ironia, de quem quer que seja", ressaltou o senador.