Gestoras relatam a experiência e o desafio de administrar a maior unidade hospitalar do Estado.
ASCOM/HMWG
As seis diretoras que compõem a atual gestão do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel estão juntas há pouco mais de um ano.
As seis diretoras que compõem a atual gestão do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG) estão juntas há pouco mais de um ano e são responsáveis pela tomada de decisões que refletem diretamente na assistência prestada ao usuário do Sistema Único de Saúde (SUS).
Com mais de 120 enfermeiros e 800 técnicos de enfermagem sob sua responsabilidade, Graça Dantas, foi escolhida entre os próprios colegas para assumir desde 2015 o cargo de diretora de enfermagem. “Sempre que é preciso mudar a direção, uma eleição interna entre os servidores destas duas categorias elege o diretor de enfermagem”. Graça conta que umas das maiores dificuldades encontradas diariamente para prestar uma melhor assistência ao paciente, é o déficit de Recursos Humanos (RH). “Temos 284 leitos para prestar atendimento 24h. Isso sem contar as macas nos corredores. Então é muito difícil balancear a imensa quantidade de pacientes e a reduzida quantidade de profissionais. Todo dia, logo cedo, temos de ver quem vai dobrar o horário, quem vai ser remanejado de setor... é uma rotina árdua”, afirma.
E para lidar com todo esse contingente de pessoas, Graça diz que não deixa de fazer uso de seu lado feminino mais aguçado: a sensibilidade. “É necessário saber ouvir, saber separar os fatos e fazer com que todos saiam satisfeitos. Então não adianta querer ser somente racional nessas horas. E nós mulheres sabemos como ouvir bem e isso ajuda muito para quem ocupa um cargo de gestão”, afirma.
Mas, além do excedente número de doentes em macas que ocupam as áreas de circulação do Pronto Socorro Clóvis Sarinho (PSCS), a quantidade de gêneros alimentícios, material de higiene e de medicamentos usados diariamente é outro motivo de constante monitoramento da unidade. “Algumas pessoas não compreendem a complexidade dos processos de compra no setor público. São várias modalidades e todas levam um tempo para a tramitação dos processos nos setores internos e nas Instituições reguladoras envolvidas. Além do tramite processual, existe a dependência da liberação do orçamento e posterior disponibilização dos recursos para fazer os pagamentos. Nesse intervalo de tempo, pode acontecer o conhecido desabastecimento”, esclarece a diretora administrativa e financeira, Luzicínia Costa.
Em 42 anos de HMWG, esta é a segunda vez que uma mulher ocupa a direção administrativa (a primeira foi com a enfermeira Walmira Guedes). Com setores como manutenção e almoxarifado, predominantemente masculinos, sob sua gerência, Luzicínia conta que não teve preocupações em assumir o cargo, pois, estava consciente do desafio.
Contudo, apesar das turbulências ao que o hospital é pontualmente submetido, nos últimos três anos, o HMWG conseguiu evoluir em diversas áreas. A adesão ao Programa SOS Emergência, os investimentos em equipamentos de ponta (como o sistema que possibilita a digitalização das imagens de raio-x e tomografia e os mais de 50 pontos de visualização), a abertura do acolhimento com Classificação de Risco, a qualificação de chefes e gestores através de cursos e capacitações do Hospital Israelita Albert Einstein, as reformas estruturais e abertura de um nova Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com 10 leitos no Pronto Socorro Clóvis Sarinho (PSCS), a criação do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), primeiro hospital do Nordeste em contar com o serviço de Odontologia Hospitalar, visitas multidisciplinares diárias que resultaram na redução da alta permanência de pacientes de 20 para 10 dias, são exemplos das melhorias ocorridas no período.
Mas a rotina estressante a que estão submetidas no Walfredo Gurgel é apenas uma parte do dia a dias das gestoras. Todas as seis também desempenham outros papéis em sua vida particular e que exigem tanto ou até mais atenção do que a dispensada ao hospital. “É muito difícil conciliar em 24h todas as atividades que temos no dia a dia. Estou diretora, sou mãe, sou esposa, tenho meus filhos e faço o máximo para não deixar uma obrigação tomar o espaço de outra, mas, as vezes, é impossível. Apesar de tudo, mesmo com toda a correria, é muito satisfatório poder contribuir com a gestão do hospital”, afirma a diretora técnica do HMWG, Hélida Bezerra.
Inquieta por natureza, Maria de Fátima Pereira Pinheiro, assumiu a diretoria geral desde 2012 e diz que o corre corre de sua vida é o que garante sua energia para lidar com as questões do hospital. “Eu estou gestora do Walfredo, sou avó, mãe, cuido da minha casa e trabalho em um serviço de socorro de emergência em outro hospital. Tem dias que emendo um plantão noturno com meu trabalho no Walfredo e não me sinto cansada. Acho que se não fosse assim, eu já teria morrido. Sou muito inquieta. Preciso estar em movimento”, revela.
É também de Fátima Pereira, a responsabilidade em responder por tudo que acontece nas dependências do HMWG, de bom ou de ruim. Ela que atua no hospital há quase 30 anos, já havia assumido cargos de direção médica e do Pronto Socorro, mas, foi quando assumiu a posição de diretora geral que entendeu realmente o que é ser gestora. “É uma responsabilidade muito grande e você tem de estar sempre preparada para lidar com as adversidades. Graças a Deus eu tenho um excelente time de mais de 2.000 servidores, comprometidos com seu trabalho e do qual eu muito me orgulho”, diz.
Completando o time, a mais recente aquisição foi a também cirurgiã, Isabel Cristina, que atualmente ocupa a posição de diretora do Pronto Socorro Clóvis Sarinho (PSCS). No cargo há pouco mais de cinco meses, uma de suas principais atribuições é monitorar as rotinas dos profissionais que atuam na porta de urgência do Walfredo Gurgel. Ela também tem como atribuição, a confecção dos protocolos de atendimento para o PS. Isabel diz que aceitou assumir a posição consciente de que seria um trabalho complicado. “Eu já estava no hospital há um tempo e já sabia da rotina de alguns serviços. Então não fiquei nervosa nem com medo de dizer o “sim” ao convite, mesmo já sabendo que não seria fácil. E não está sendo, acredite”, atestou.
Ocupando a direção médica, a pediatra, Marleide Alves, tem a missão de lidar com os colegas de profissão, fiscalizar e cobrar o cumprimento integral de suas escalas, proporcionar o diálogo mais aberto entre corpo clínico e gestão, além de dar respostas as queixas, quando algum médico (por qualquer motivo) não atende as expectativas de pacientes e acompanhantes. “Pois é, até nós médicos precisamos de uns puxões de orelha de vez em quando”, brinca a diretora. Ela explica que as vezes o médico comparece ao posto de enfermagem para fazer a prescrição no prontuário, mas, como são muitos, chega a acontecer dele não passar a visita no leito. “E aí o paciente fica chateado, com razão, e nos procura para relatar. Não é sempre que acontece, mas tenho o cuidado de todas as vezes ligar para o médico e repassar a queixa para que ele não esqueça novamente”, conta. Marleide também é do time das médicas veteranas do Walfredo Gurgel. Atuando na unidade desde 1987, já foi chefe da pediatria e já ocupou anteriormente o cargo de diretora médica.
No próximo dia 31 de março, o maior hospital do RN completará 43 anos de assistência. Sob a batuta das seis diretoras, a esperança de dias melhores para os pacientes e funcionários. “Estamos buscando equilibrar contas, buscando a aquisição de novos equipamentos e a segunda parte da reestruturação do PS, ainda para este ano. Estamos confiantes que 2016 será um bom ano para o Walfredo Gurgel. Estamos trabalhando para isso”, finaliza Pereira.
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